O aumento no consumo de antibióticos durante a pandemia da Covid-19 fez com que o número de detecção de superbactérias resistentes a esses medicamentos triplicasse no Brasil. Os resultados publicados nesta segunda-feira (6) são de uma pesquisa do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

De acordo com os dados do estudo, em 2019  pouco mais de mil casos de bactérias resistentes a antibióticos foram enviados por laboratórios para análise na Fiocruz. Em 2020, primeiro ano da pandemia de Covid-19, o número de amostras positivas passou para quase 2 mil. Em 2021, apenas até outubro, o índice ultrapassa 3,7 mil amostras confirmadas.

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“Durante a pandemia, houve aumento no volume de pacientes internados em estado grave e por longos períodos, que apresentam maior risco de infecção hospitalar. Também houve aumento no uso de antibióticos, o que eleva a pressão seletiva sobre as bactérias. É um cenário que favorece a disseminação da resistência, agravando ainda mais um problema de alto impacto na saúde pública”, afirma a chefe do Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar, Ana Paula Assef.

Superbactérias durante a pandemia da Covid-19

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) soltou uma nota em agosto pedindo cuidados contra a disseminação de superbactérias. O órgão reforçou na ocasião que antibióticos não combatem o vírus e devem ser usados apenas contra infecções bacterianas resultantes da infecção.

“Em parte, a alta na prescrição de antibióticos nos hospitais durante a pandemia pode ser justificada pelo maior número de pacientes graves internados, que acabam desenvolvendo infecções secundárias e necessitando desses medicamentos. Porém, o uso excessivo precisa ser controlado para evitar que se impulsione a resistência bacteriana”, completa Ana Paula.

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A Organização Mundial de Saúde (OMS) estimava que, em 2050, cerca de 10 milhões de pessoas deveriam morrer anualmente vítimas de superbactérias. Com a pandemia da Covid-19, o órgão informou que já está revendo essa posição e que o número deve ser potencialmente maior.

“Existem bactérias vivendo no nosso organismo, nos animais e no ambiente. Sempre que usamos antibióticos, em unidades de saúde, em casa ou na agropecuária, aumentamos a pressão seletiva sobre esses microrganismos. Isso acelera a emergência e a disseminação da resistência, pois as bactérias conseguem transmitir os mecanismos de resistência umas para as outras”, explica a médica.

“É importante que as pessoas entendam que os antibióticos só atuam contra bactérias e não têm efeito contra vírus ou qualquer outro microrganismo. Não se pode tomar antibiótico por indicação de conhecido ou familiar. Para que esses medicamentos continuem eficazes, eles devem ser usados com critério, apenas com prescrição médica. O paciente precisa seguir a receita de forma irrestrita, com a quantidade de dose e duração da administração exatas”, finaliza.

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