O Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB), que sucedeu ao KGB no que diz respeito a assuntos domésticos, prendeu vários membros do grupo de hackers REvil a pedido do governo dos EUA. As informações são da própria agência russa, conforme traz a Reuters.

A medida significa um grau incomum de cooperação entre os países e ocorre em meio a uma atividade militar russa cada vez mais agressiva na fronteira ucraniana. Os Estados Unidos, por sua vez, junto a nações do Ocidente, tentam evitar conflitos armados na região do leste europeu.

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REvil deixou de existir, diz agência

Reportagens da agência de notícias russa Interfax afirmaram que o FSB apreendeu 426 milhões de Rublos Russos (R$ 31 milhões) em uma operação contra 14 membros do REvil. Também foram apreendidos o que seriam mais de R$ 3,3 milhões em criptomoedas e 20 carros de luxo.

O FSB disse à Interfax que estava agindo a pedido das autoridades norte-americanas. Segundo a agência russa, a operação efetivamente desmantelou a REvil como entidade. “A associação criminosa organizada deixou de existir e a infra-estrutura de informação utilizada para fins criminosos foi neutralizada”.

A emissora russa REN TV transmitiu imagens de agentes invadindo casas, prendendo pessoas e apreendendo grandes pilhas de dinheiro. Os membros do grupo foram acusados ​​e podem pegar até sete anos de prisão.

Ações da Rússia contra gangues de ransomware

As primeiras informações são de que os membros do grupo com cidadania russa não devem ser entregues aos Estados Unidos. O REvil é uma das gangues de ransomware mais conhecidas no mundo e é responsável por sequestros recentes de sistemas em empresas como Acer, Quanta (fornecedora da Apple) e a brasileira JBS.

As agências dos EUA intensificaram sua busca pelo REvil depois que o FBI o vinculou ao hack que desativou o Oleoduto Colonial em maio de 2021. O governo Biden tem solicitado à Rússia que faça mais para reprimir as gangues de ransomware que operam no país. Já analistas vinculam grupos russos a extensas operações de ransomware na Europa e nos EUA.

Ataque cibernético à Ucrânia

A notícia da operação contra o REvil chega no mesmo dia em que o governo da Ucrânia sofreu um grande ataque cibernético, com porta-vozes do governo ucraniano e da União Europeia acusando a Rússia pela autoria.

Segundo Nina Jankowicz, pesquisadora global do Wilson Center e especialista em assuntos russos, a derrubada do REvil pelo FSB pode ser Moscou querendo agradar os EUA após as negociações sobre as crescentes tensões na fronteira da Ucrânia nesta semana não terem ido adiante.

Via The Verge

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