O que parece ser um sonho ou alguma cena de um filme de ficção científica já está nos planos da startup Lonestar Data Holdings. O projeto audacioso da empresa é construir datacenters na Lua, fazendo backup dos dados gerados em todas as partes do mundo. Afinal, segundo os idealizadores da ideia, a segurança na Lua é impecável para manter os servidores intactos e trabalhando a todo vapor. 

“É inconcebível para mim que estejamos mantendo nossos ativos mais preciosos, nosso conhecimento e nossos dados, na Terra, onde estamos detonando bombas e queimando coisas. Precisamos colocar nossos ativos fora de nosso planeta, onde possamos mantê-lo seguro”, disse Christopher Stott, fundador e CEO da Lonestar. 

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Preservação de sementes

De acordo com o CEO, os esforços da Lonestar para construir uma instalação de armazenamento de dados no espaço são como tentar preservar todas as sementes do mundo no Svalbard Global Seed Vault, localizado na ilha norueguesa de Spitsbergen, no Ártico. Mas, em vez de tentar proteger a diversidade de cultivos, a novata quer salvaguardar o conhecimento humano. 

“Se não fizermos isso, o que acontecerá com nossos dados na Terra?”, questionou.  “O banco de sementes se inundou devido aos efeitos das mudanças climáticas. Também é suscetível a outras formas de destruição, como guerras ou ataques cibernéticos. Precisamos ter um lugar onde possamos manter nossos dados seguros.” 

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Em busca de financiamentos 

Para colocar em prática o projeto inovador e altamente desafiante, a Lonestar está fechando rodadas de negociações com investidores. Uma de US$ 5 milhões já está quase certa. 

O astronauta Gene Cernan da Apollo 17 se prepara para coletar as amostras 73001 e 73002 na Lua em 1972; agora startup sonha em criar servidores que ficariam instalados em datacenters na Lua. Imagem: NASA

Para conseguir mais dinheiro, terá que provar que sua tecnologia é viável. Para isso, terá que começar com pequenas demonstrações em cargas lunares comerciais. 

No mês passado, a startup assinou contratos para lançar demonstrações de protótipos de seus recursos de software e hardware a bordo de duas sondas lunares com a Intuitive Machines, empresa aeroespacial financiada pela NASA.

Sob o programa Commercial Lunar Payload Services da agência espacial, a Intuitive Machines, após algum atraso, enviará sua sonda Nova-C à Lua para sua primeira missão, apelidada de IM-1, prevista para o final de 2022. 

O segundo lançamento, IM-2, é mais ambicioso. A Intuitive Machines planeja enviar outra sonda Nova-C ao Pólo Sul da Lua carregando vários equipamentos, incluindo a broca PRIME-1 da NASA para gelo e um espectrômetro, bem como o primeiro protótipo de hardware da Lonestar: um dispositivo de armazenamento de um quilo, com 16 terabytes de memória. Espera-se que o IM-2 seja lançado em 2023. 

Robôs, robôs e robôs  

O objetivo da startup é realizar testes de upload e download e de processamento de borda de aplicativos. Nessa primeira fase, ela também está no processo de determinar as taxas de largura de banda para transmitir os dados da Lua para Terra, seja nas bandas S, X ou Ka, todas no espectro de rádio. 

A grande dificuldade será aterrissar os robôs de uma maneira suave na superfície da Lua, situação que já fez várias missões fracassarem por conta da atração gravitacional e sua atmosfera muito fina. 

No entanto, a ideia é criar um protótipo do tamanho de um livro para datacenters de armazenamento em nuvem, em forma ondulada. 

O objetivo é lançar servidores capazes de armazenar cinco petabytes de dados em 2024 e 50 petabytes de dados até 2026. 

A expectativa é que o datacenter seja capaz de hospedar tráfego de dados de e para a Lua a taxas de 15 Gigabits por segundo – muito mais rápido do que as velocidades de banda larga da Internet doméstica – transmitidos por uma série de antenas. E como tudo será levado à Lua? Segundo a Lonestar, por meio de robôs, muitos robôs…

Via: The Register 

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